Tiago Aguiar (Serro, MG, 1983) é Artista, congadeiro e trabalhador da construção civil. Vive em Belo Horizonte e desenvolve seu trabalho entre Serro, Belo Horizonte e Cape Cod, nos Estados Unidos. É bacharel em Artes Plásticas pela Escola Guignard da UEMG e possui especialização em Fotografia pelo Hallmark Institute of Photography, em Massachusetts, EUA.

Sua prática parte da reaproximação de pessoas, territórios, práticas e materiais que já fazem parte de suas experiências. Retorna a situações familiares para investigar aquilo que ainda permanece desconhecido dentro delas. Através da presença, observação e participação, ele estabelece relações que se desdobram em fotografia, vídeos, ações performáticas, instalações, gravuras e esculturas.A repetição atravessa seu trabalho como procedimento e forma, na construção de séries, na recorrência de gestos e percursos e na insistência em aproximar-se, permanecer e observar para produzir.

Entre 2010 e 2019, desenvolveu a pesquisa Rusá a partir da Festa de Nossa Senhora do Rosário de Serro, MG, celebração que pertence a história da sua cidade natal. Construiu relação com congadeiros, comerciantes informais, com a tradição do retratista lambe-lambe e outros participantes da festa. Pesquisa que se desdobrou em séries de retratos, ações performativas, instalações e experiências de fotografia expandida.

Durante a pandemia, essa aproximação se voltou para as cruzes das almas situadas à beira dos caminhos. A partir de um compromisso registrado no Livro de Compromisso dos Irmãos do Rosário do Serro, do qual o artista faz parte como congadeiro, de 1719, que orienta os irmãos a “zelar pelos irmãos defuntos”, firmando uma promessa de zelar continuamente por essas cruzes.
Localizá-las, se deslocar até elas, limpar, cuidar com respeito e fundamento e fotografá-las se tornou procedimento recorrente.

Atualmente, o ele retorna a experiências acumuladas na construção civil, campo de trabalho que atravessa sua trajetória e história familiar. Tendo trabalhado em diferentes áreas da construção, inclusive ao lado do pai, incorporando ao corpo gestos, técnicas, materiais e modos de fazer. Ao trazer essas experiências para a prática artística, investiga o que acontece quando procedimentos de trabalho são repetidos, deslocados e reorganizados em outro contexto.

Sua prática se constrói nesse movimento entre retorno e deslocamento, entre experiência e investigação. Retorna a pessoas, práticas e lugares que já conhece para descobrir aquilo que ainda não conheçe neles. A memória está incorporada nos corpos, gestos, objetos, territórios e modos de fazer que encontro.

“Me aproximo para pesquisar e pesquiso para me aproximar.”